Pedrinhas - Expedição Lagamar

É domingo e o dia amanheceu lindo!

E, para comemorar essa beleza toda, resolvemos fazer um passeio cheio de aventura, aliás, mais aventuras do que eu poderia imaginar. =D

Ficou curioso?

Vem comigo...


Rapidinho pegamos toda a tralha necessária e botamos o pé na estrada.

Estrada que, por sinal, já é um passeio... Toda cercada de vegetação nativa: bromélias, palmeiras e cactos entre outras espécies enfeitam o caminho que é longo (25 km do Boqueirão Norte) mas lindo.

Essa região, também, é cheia de animais silvestres que cruzam a estrada o tempo todo, portanto, liga um som, desacelera o carro e vai curtindo a paisagem afinal você está na praia e não há nenhuma necessidade de pressa.

Diversão com responsabilidade é muito melhor e os animais agradecem! :)


Ah, ainda não disse para onde é o passeio?

Mais uma vez para a encantadora Pedrinhas que eu amoooo de paixão! 
Quem conhece entende e quem não conhece vai ver o que está perdendo...

Tá, eu confesso que evitava falar de Pedrinhas, um pouquinho de ciúmes de mostrar esse lugar pra todo mundo, eu até já falei sobre isso na primeira vez que escrevi sobre  Pedrinhas (se quiser saber mais é só clicar aí nesse link) mas, enfim, o turismo vem crescendo e não dá para evitar...

O melhor é informar pois, assim, atraímos turistas consciente e que vão preservar esse cantinho do paraíso.


Pedrinhas começa na praia, onde tem dunas enormes e lugares lindos para se visitar (já contei sobre essa parte do bairro e, quem ainda não viu pode ler aqui Praia de Pedrinhas) e se estende até a vila dos pescadores.

Margeando o Mar Pequeno está a vila de pescadores de Pedrinhas que vive, basicamente, da pesca e do artesanato.

Um lugar pacato de gente simples que vive a vida em harmonia com a natureza...


Natureza que, por sinal, foi muito generosa por aqui...

Do lado de cá a vila com pier e "prainha" para refrescar os dias mais quentes e, do outro lado do canal um dos manguezais mais preservados da região.

E é lá que vamos conhecer hoje!


O transporte escolhido para fazer essa expedição foi o StandUp por ser totalmente natural, sem motor, sem poluição, silencioso e, claro, dar uma dose extra de emoção à essa aventura.


No meio da travessia a primeira surpresa: o canal estava cheio de botos!

Lindos, circulando a prancha, nadando em bandos, brincando na casa deles...

Eu só tremia. Não sabia se observava, se fotografava ou se me equilibrava no SUP. Rsrs

Fiquei por ali até eles se afastarem.


Conforme fui me aproximando da outra margem os vales foram crescendo na minha frente, preenchendo tudo de beleza e majestosidade.


O Mar Pequeno se divide em diversos braços de canais menores que serpenteiam mata adentro, formando desde pequenas ilhotas até manguezais enormes.

Escolhi um desses canais paralelos e comecei a explorar!


Uns cinco minutos de remada depois me deparei com um bando de guarás, pintando de vermelho as árvores verde escuro do manguezal.

Os guarás são aves majestosas e só aparecem por aqui em determinadas épocas do ano. Quando o lugar é farto alguns deles acabam ficando, como é o caso desses aqui. Era um bando grande com, mais ou menos, umas 30 aves. 

Estar de SUP facilitou muito minha aproximação. 
Remei bem devagar, sem fazer muito barulho e pude chegar bem embaixo da árvore onde eles estavam descansando. Fiz belos cliques e ouvi,  bem de perto, o barulho que faziam ao disputar os galhos...

Por fim me notaram ali e saíram em revoada contrastando o vermelho vivo com o azul infinito do céu.


Me despedi dos guarás e continuei seguindo... 

Cruzei com garças, socós, pica-paus, canários e uma infinidade de aves que nem sei os nomes. Mas eles fazem a festa por aqui e entoam a mais bela trilha sonora que se pode imaginar.

A cada remada o cenário vai ficando mais incrível!


As pequenas ilhas de mangue que se formam no meio do canal servem de abrigo do sol e são um ótimo lugar para dar uma paradinha para repor as energias, tomar uma água e continuar a remada...


Como explorar era o objetivo, acessei um outro canal, mais estreito e mais fechado de vegetação.
A água mansa e barrenta (por conta das enxurradas da semana passada) desenhava um espelho deixando o caminho, ainda, mais encantador.


Livre do vento e sem correnteza ficou fácil remar por aqui, deu até para fazer várias selfies. =D

Também foi fácil observar, mais de perto, a formação do manguezal nesse trecho de águas calmas e rasas...


Vale lembrar que MANGUEZAL é todo esse ecossistema formado às margens do canal enquanto que MANGUE é um termo comum usado para se tratar das espécies arbóreas que são características desses habitats.


Essas imensas raízes é que garantem a sustentação das árvores no solo. O solo do manguezal é úmido, salgado, lodoso e pobre em oxigênio, porém, muito rico em nutrientes.

É comum ao se aproximar dele sentir um cheiro mais forte de coisa podre. Isso acontece porque o manguezal possui uma enorme quantidade de matéria orgânica em decomposição, o que o torna tão rico em nutrientes.


Toda essa matéria orgânica que se acumula por aqui serve de alimento à base de uma extensa cadeia alimentar.

É comum encontrar, por aqui caranguejos, crustáceos e, até, algumas espécies de peixes.

E onde tem crustáceos e peixes, tem garças, guarás e uma infinidade de aves e pequenos mamíferos que se alimentam por ali. Por isso, os manguezais são considerados grandes "berçários" naturais para diversas espécies fornecendo abrigo e condições ideais para a reprodução.


Os manguezais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura no mar e sua preservação é vital para que vilas e comunidades pesqueiras, como a Vila de Pedrinhas, possam garantir sua sobrevivência.

Mas, nem tudo são flores e, manguezal adentro, bem longe da comunidade pude observar sacolas plásticas que se prenderam às raízes do mangue. Resultado da sacolinha que é jogada no terreno baldio, que é arrastada pela chuva, que vai parar no rio, que viaja até o mar e vem acabar aqui no berço da vida.

Isso é para se ter ideia do impacto que um ato irresponsável pode causar e, também, de que a solução está ao nosso alcance com simples mudanças de atitude! ;)


Uma hora e meia de remada depois, o cansaço começou a bater e eu bati em retirada... Ainda tinha uma boa remada de volta e o sol estava judiando.

Saí do pequeno canal e voltei ao principal. Voltei apreciando um pouco mais da vegetação da margem, vendo peixes saltar da água e ouvindo o som dos pássaros. 

Apesar de cansativo foi bem agradável! =D


De volta à vila, o descanso merecido...
Pausa para refrescar, me alimentar e relaxar...


Paz para relaxar é que não falta por aqui e um banho de chuveirinho com água da cachoeira revigora qualquer um...


Esse banho me deixou pronta para dar uma volta pela passarela que avança por cima do canal, passa por dentro do mangue e permite essa visão mágica do Mar Pequeno do maré calma e água espelhada.


O fim do dia se aproximava e, é claro, eu ia ficar para ver o sol se pôr...
Escolhi um bom lugar para me sentar e esperei pelo espetáculo!

Lá na frente, podia ver o esguicho dos botos em sua pescaria do fim do dia.

Aves desfilavam em grupos se recolhendo para o descanso fazendo a rotineira algazarra do final de mais um dia.


Quem esava por lá parou para ver... 

Aos poucos grupinhos foram tomando o pier, a passarela e os bancos sob os chapéus-de-sol.


Até que por fim o sol se deita e as aves se recolhem e chega a hora de ir embora...

Mais um dia muito bem aproveitado em um lugar mágico, onde a vida explode nas mais diversas formas de vida e onde pude me sentir conectada com o Universo.

Namastê e até o próximo...





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6 comentários

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    1. Desculpa, fiz besteira e excluí seu comentário!:/

      Mas agradeço a participação e prometo não dar outra gafe dessas. rs

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    1. Desculpa, fiz besteira e excluí seu comentário!:/

      Mas agradeço a participação e prometo não dar outra gafe dessas. rs

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    1. Desculpa, fiz besteira e excluí seu comentário!:/

      Mas agradeço a participação e prometo não dar outra gafe dessas. rs

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