Marujá - primeiro dia...


Todo ano, depois da temporada, é minha vez de tirar férias e, este ano, resolvi conhecer um pouco mais da nossa região que é linda e rende ótimos passeios...

Meu destino?

Núcleo Marujá na Ilha do Cardoso

Eu até tinha pensado em contar o passeio todo de uma só vez, mas foram quatro dias de muita aventura e belas paisagens que resolvi contar tim tim por tim tim pra não deixar passar nadinha.

Sendo assim vou contar em três partes: este foi o primeiro dia...


O ponto de partida é no Boqueirão Sul então bora lá!

O caminho pra se chegar lá eu já contei aqui no blog, mas para os mais novos segue um resumão de como chegar até lá: Beira Mar até o fim do asfalto, segue pela estrada de cascalho (Estrada da Vizinhança) até chegar na entrada de Pedrinhas, neste ponto entra na praia...

Sei que vai ter muita gente que vai torcer o nariz, afinal praia não é lugar de carro, mas aqui na Ilha existem diversos impedimentos ambientais (graças a Deus) pra evitar que sejam construídas estradas. Sendo assim, toda esta região sul da Ilha ficaria isolada do restante da Ilha sem este fluxo. Até os ônibus circulares e escolares fazem este trecho pela praia...

Claro que há uma alternativa que seria ir até Cananéia pela estrada (mais ou menos 1 hora de viagem) e de lá pegar uma balsa até a ponta sul da Ilha.

Nós fomos pela praia mesmo e aqui vale o bom senso em dirigir em velocidade e de forma responsável!


Uma recomendação importantíssima pra quem vai circular na praia é estar atento aos horários da maré. Com maré alta o risco de atolamento é grande pois, as barras (aqueles córregozinhos que desembocam no mar) ficam cheias e impedem a passagem.

Procure avaliar antes de passar e se estiver fundo NÃO ARRISQUE!
É mais fácil esperar ou buscar outras alternativas como desvios... 


Enfim, no Boqueirão Sul seguimos até o porto da balsa para embarcar rumo ao Marujá.

Este tipo de passeio precisa ser agendado previamente pois, dificilmente, vai ter um barqueiro à disposição pra um passeio tão longo...

Fomos de "voadeira" que é como esta embarcação é conhecida. A viagem, com ela, dura em média 50 minutos, se fossemos de escuna demoraria quase três horas de viagem.


Na partida uma última olhada pro nosso paraíso... De um lado Ilha Comprida e do outro Cananéia rodeada por seus vales encantados!


O percurso, ao contrário do que imaginei, não segue por mar aberto e sim pelas água tranquilas do Lagamar...

A paisagem deslumbrante disputa nossa atenção com as diversas embarcações que vamos cruzando pelo caminho: barcos pesqueiros, canoas, lanchas, e até balsas circulam por estas águas, afinal este é o única forma de transporte para turistas e moradores.


A beleza do lugar é de cair o queixo. A grandiosidade do lagamar se funde à mata atlântica, desenha montes sem fim. A água mansa e escura, cercada de mangue e espécies animais completa o visual de tirar o fôlego...

E quando você pensa que mais nada vai te surpreender surge uma ilha minúscula com uma única casa, um barco e uma família de ribeirinhos.

Logo pensei: uma ilha pra chamar de minha! :)
Quem não gostaria?


E por falar em mangue, este foi um dos mais preservados que já tive contato até hoje!

As árvores fartas de raízes imensas brotam no meio da água produzindo vida e recursos naturais essenciais para este ecossistema único.

A mata atlântica que se une e sobe os montes até onde os olhos alcançam dão esta sensação de amplitude e grandeza.


Cinquenta minutos depois a paisagem dá espaço para as primeiras casas do vilarejo. As casas de aparência simples e jardins bem cuidados são uma visão aconchegante e acolhedora...


O desembarque foi agitado, com muita empolgação e um certo trabalho afinal é preciso levar um pouco de suprimentos e bebidas já que não há nenhum tipo de comércio dentro da Ilha. Salvo as pousadas, uns poucos bares (estavam todos fechados nos dias em que estive por lá) e um restaurante (pelo menos durante minha estadia).

Na Ilha não há ruas, nenhum tipo de veículo motorizado (exceto os barcos, claro) e nem energia elétrica!!!
Calma, antes que você desista de conhecer o lugar é bom saber que há energia solar, aquecedor à gás e energia por gerador.  Ufa! :)

Apesar destas fontes de energia, os recursos elétricos são bem restritos. Na pousada em que me hospedei, por exemplo, não tinha geladeira, nem tomadas nos quartos. O ventilador só funcionava das 18 às 23hs (durante o período em que o gerador estava ligado) e depois disso mais nada, somente a luz do banheiro.

Nos viramos com coolers e gelo. Almoçamos no restaurante e fizemos churrasco à noite. E nos abanamos muiiito pra conseguir dormir! Hehehehe

Quem disse que ia ser fácil? O passeio é roots. Aqui o negócio é paz e sossego, muito sossego!


Apesar da aparente dificuldade o lugar é incrível. A pousada um mimo, toda decorada com temas e trabalho artesanal caiçara.

Serve café da manhã e a recepção dos proprietários, Dona Cleuza e Seu Arnoldo faz qualquer um resolver se mudar pra lá...


Rapidinho nos instalamos e partimos pro que eu mais gosto de fazer... Explorar!
E adivinha qual é nosso primeiro objetivo?

Conhecer a praia do Marujá, claro! :)

Pegamos esta trilha linda e fresca, cercada de árvores antigas e nativas...


Logo a vegetação vai ficando mais rasteira e, lá na frente, já dá pra avistar o mar...
Pé na areia e disposição, o mundo é daqueles que se atrevem!


Chegamos!

Delícia... Apesar de ser o mesmo mar que banha a Ilha Comprida, a água daqui é totalmente diferente da nossa praia. A areia é bem mais grossa e a água cristalina...

No horizonte pequenas ilhas nos convidam à contemplação...


Na volta, menos eufóricos, pudemos apreciar toda a paisagem do entorno...

Montes enormes crescem ao redor do lugar, vegetação, mata e água se perdem na imensidão.


O Marujá parece ter sido colocado neste vale cercado de natureza bruta.
É um lugar bem cuidado e respeitado por seus moradores e visitantes...


Uma pequena parada no centro de apoio ao turista me deixou passada...

Aqui eles montaram um painel com lixos recolhidos na praia. Até aí não tem novidade né? O que me impressionou mesmo foi que estes lixos são de diversas partes do mundo!
Tem embalagens do Japão, Espanha, Arábia entre outros.

Esse lixo todo chega na praia e, provavelmente, é descartado pelos navios. Pra provar que o lixo que descartamos de forma irresponsável, de uma forma ou outra vai nos prejudicar.

Consciência ambiental é a solução pra preservar santuários naturais como este!


Ainda na volta, à caminho do restaurante, pegamos uma baita chuva...
Mas quem se importou???

O restaurante, era o único que estava funcionando na Ilha, oferecia comida simples e gostosa a preço acessível.

A decoração é bem rústica e o atendimento bem caiçara... Tudo de bom!


Pra encerrar o primeiro dia com muito estilo, passamos o resto da tarde tomando banho de rio...
Porque quem tá na chuva é pra se molhar! Hehehe

Cansados e felizes, voltamos para a pousada para confraternizar e encerrar o primeiro dia de aventuras neste paraíso...

Amanhã conto mais!


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2 comentários

  1. Em média , qual o valor da pousada e da voadeira?

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    1. As diárias variam de R$ 50,00 à R$ 150,00 depende das acomodações que você escolher. A voadeira cobra R$ 50,00 por pessoa para ida e mais R$ 50,00 para volta

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