Surpresas da Juréia

Em minha última postagem contei um pouquinho sobre as belezas e encantos deste cantinho paradisíaco que é o Costão da Juréia. Mas, não foi só isso, tivemos muitas surpresas por lá...

Agora quero mostrar à vocês a generosidade da natureza em lugares preservados como esta reserva!

Por aqui a fauna é farta e encantadora e tivemos a sorte de encontrar espécies de animais que não se vê todos os dias...

Antes de mostrar tudinho para vocês preciso corrigir a informação da postagem anterior... Não foi uma foca que encontrei por lá e sim um Lobo Marinho! 
Mas, nada que apague o brilho e a emoção da descoberta... ;)


Logo que chegamos já nos deparamos com esta Tartaruga Marinha gigante que, infelizmente, já estava morta.
Um belo animal que, pelo tamanho, deveria ser centenário!

A poluição é uma das grandes vilãs na morte destes animais que ingerem sacos plásticos (confundindo com alimento). Outra causa é o aprisionamento destas tartarugas nas redes de pesca abandonadas...

Foi uma cena triste, mas uma bela surpresa.


Assim que comecei a explorar as rochas levei um susto enorme com um rosnado que vinha de uma rocha próxima.
Assustada, procurei ver de onde vinha o som e eis que avisto esta maravilha de animal!!!!!

Haja empolgação... Comecei a gritar (risos), não de medo ou susto mas de emoção...

Este é o Lobo Marinho (sim, é aquele que eu havia pensado ser uma foca) e estava deitado sobre as rochas.
Ficou muito arisco com a nossa presença...

Eu morri de medo, quando ao tentar me aproximar para fotografá-lo, ele rosnou e mostrou um par de presas bem intimidadoras.



Assim que nos afastamos ele se acalmou e deitou, novamente, na rocha. Percebi que seu olho estava machucado e lacrimejava sem parar...
Como não entendo nadica de nada de animais me assustei, pois alguns urubus já estavam rodeando o coitado do bichinho.

Foi aí que meus filhos tiveram a idéia de pescar algo para alimentá-lo, já que achávamos que ele estava fraco e não conseguiria sair dali!


Caminhando por entre as rochas atrás de isca para a pesca nos deparamos com este peixe (que não faço a menor ideia de como se chama), já morto... Decididamente não era uma refeição ideal para o Lobo Marinho.


Finalmente encontramos uma colônia de Mexilhões... Eles serão a isca ideal para pescar aqui à beira das rochas!
Enquanto tentamos colhê-los, já que ficam incrustados nas rochas, a criançada fica atenta e preocupada com a aproximação dos urubus no mascote do dia... O Lobo do Mar corre perigo!


Se retirar os Mexilhões da rocha foi difícil, imagina abrir esta concha!
Tem que ter cuidado e habilidade com a faca para abri-la e retirar o molusco que iremos usar como isca...


Isca e varas prontas, agora é hora da pescaria... E não é mole pescar à beira destas rochas!
As ondas batem violentamente nas pedras e uma queda aí seria um grande perigo.


Eu não botei fé de que sairia algum peixe deste lugar... Mas, quando se faz o bem o universo conspira à nosso favor!

E não é que ele conseguiu??? 
Olha a cara de felicidade...


Esta é uma Garoupa, uma espécie típica de regiões rochosas como esta. Pelo tamanho parece ser um filhote, mas nossa causa é salvar o Lobo Marinho, portanto é ela quem vai ser servida!


De volta ao leito do Lobo Marinho nossa tarefa, agora, é conseguir lançar, de uma distância segura, o peixe para que ele o coma!

Ele volta à ficar agitado e feroz... O som que ele emite e suas presas são bem assustadoras!


Com o peixe bem pertinho dele e, ainda com muita fúria, o bicho pareceu não gostar!
Rosnou para o peixe, cheirou e virou de costas... Vê se pode?

Tanto trabalho para alimentar o danado e ele faz o maior pouco caso!

Depois dessa pensamos em deixá-lo ali, já que não havia mais nada a fazer... Só que a proximidade dos urubus nos preocupou.

Subimos em uma rocha, acima da que ele estava, e começamos a lançar galhos em sua direção... Óbvio que ele ficou uma fera!

Mas não resistiu... Se levantou e fugiu para o mar!
Não tenho a foto deste momento...
Como sempre, me empolgo nestas situações e fiquei tão encantada com o Lobo Marinho correndo para o mar que nem fotografei... :(

De qualquer forma alcançamos nosso objetivo. Ele entrou no mar e foi embora!

Fora de perigo e sem mais nada com que nos preocupar continuamos nosso passeio.


É impressionante a quantidade de Moluscos que encontramos por aqui...
Em cada fenda de rocha... Em cada cantinho... Escorrem como água da cascata!


Agora a surpresa mais encantadora e triste de todo o dia!
Já na volta para casa, umas 10hs da noite, cruzamos com este pinguim caído na areia. 
Descemos do carro e ele, ainda, estava vivo... Mas muito cansado, muito debilitado!

Ao contrário do que muita gente pensa, os pinguins não são espécies que vivem somente no gelo e é comum entre os meses de julho e setembro aparecerem no litoral sul e sudeste do país. 

Devia ter nadado muito para chegar até aqui e devolvê-lo ao mar não era uma opção já que o coitadinho não teria forças para vencer a rebentação das ondas...

Deixá-lo ali seria um crime!


Depois de muito debater decidimos levá-lo conosco para casa e, no dia seguinte comunicar o IBAMA para que o recolhesse e desse a devida assistência.

Acomodamos, com muito cuidado já que ele morde, o bichinho em uma caixa de isopor, mas a viagem de volta era longa demais e, infelizmente, o pobrezinho não resistiu...

Choramos muito ao vê-lo morto, mas pelo estado em que ele estava era óbvio que isso iria acontecer.

E assim, tristes, encerramos mais esta jornada nesta Ilha paradisíaca que é a Juréia. Uma Ilha que conta com uma grande reserva ecológica e preserva muitas espécies... Merece nosso respeito, merece nossa colaboração e principalmente merece conservação!


Nos álbuns você pode conferir todas as fotos destas incríveis espécies que encontramos.

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2 comentários

  1. Oiiii, conheço a Juréia ... e realmente no costão, sinto que estou no paraíso! Muiiito lindo!!

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  2. Oi Mônica, sei que o post é antigo, mas só vi agora rs
    Nesses casos de animais doentes o ideal não é ligar para os órgãos ambientais da região?
    Frequento a Ilha desde que nasci, e uma vez encontramos na Jureia também, uma tartaruga gigantesca quase morta. Na ápoca me desesperei porque não sabia o que fazer, e não soube o que fazer, apenas deixamos ela lá finalizando seu ciclo. Depois disso pesquisei diversos órgãos na internet que talvez pudéssemos entrar em contato em situações como essa. Até hoje tenho alguns números em meu celular, mas nunca mais encontrei esses animais, então não sei se funciona, mas uma delas é a Amigos do Mar: (13) 3842 7000 - http://www.ilhacomprida.sp.gov.br/home/amigos_do_mar.html
    De qualquer forma é muito triste ver esses animais sofrendo, já penso logo que a culpa nossa, seres humanos...

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